
Caminho ao longo deste extenso pavimento,
Só e são,
Preso nesta miserável ilusão,
Cerrado nestes muros que me fitam
e que, loucamente, me guiam para o nosso aluimento...
A nossa perdição...
Aos poucos, este meu chão,
meu único suporte, se desfaz,
Rodeiam-me as paredes que por sangue já choraram,
Estou imóvel, prisioneiro, incapaz,
Choro por aqueles que de mim já careceram,
pois até a voz me arrancaram,
do meu corpo já alquebrado...
O brilho, como que se tinta fosse, é-me exambrado,
Consigo a minha cor arrastando
e minha essência, desumanamente, agonizando...
Pranteio para que das lágrimas saia o ruído,
Um ruído...
O som que tanto me faz afligir,
o sopro que da vida me consegue abstrair...
Levanto o rosto, elanguescido,
já incolor,
com traços desenhados pelas lágrimas, já sujas da cor perdida,
conduzidos até ao meu tronco, já corroído,
Lamento...
Pranto por não te ter chamado,
Suspiro por não te afagado,
Lastimo não te ter osculado,
Sonho para que tudo isto um pesadelo tenha sido...
Calmamente, do meu olho, a pálpebra desvendo,
Com lágrimas nas faces já coloridas,
Despertei daquele pesadelo, amolecido,
Com um mimo teu,
E com o teu coração, já em mim, esculpido...